December 08, 2010
You shouldn't listen to me
A morte não era uma pergunta para ele. Era uma resposta. Mesmo sem saber quais as palavras que a compunham. Era a resposta que ele procurara a vida toda. Morte. Estar em um lugar melhor. Estar lá em cima cuidando de nós. Ficar em paz. Todas mentiras que nós contamos a nós mesmos. Não era um escape, era a volta para casa. Morrer a cada instante. Todos nós fazemos, mas poucos somos cientes. Mas ele; ele podia senti-lo. Em cada enxaqueca, em cada náusea no meio da noite. Cada vez que o sangue molhava seu cigarro. "Estou perto. Finalmente". Ele pensava. Não pensava ser fraco demais para as provas que a vida lhe punha. Só não eram indicadas para ele. Imagine perguntar sobre existencialismo para uma criança de 8 meses. Ela não sofreu o suficiente para conseguir pensar numa resposta. Mas ele; ele sofrera, e sentia a cada minuto a vida fugir do seu corpo como uma ilusão. Entre hospitais, médicos indiferentes e enfermeiras preocupadas demais; sua vida escorria por entre os dedos de quem poderia salvá-lo mas não sabe como, e os de quem simplesmente queria salvar todo mundo. E agora as nuvens cinzas não deixam o sol nascer belo. O vento, cansado, não acalma seu corpo. Só a luz, moribunda, consola sua vida que se apaga. E, como um cigarro na calçada, espera sua vida se extinguir, sem ser notada.