August 26, 2010

Um beijo

Desculpa se eu estou sendo bobo; mas eu realmente preciso contar isto pra alguém. Eu- eu a beijei ontem à noite. E eu me sinto bobo porque não consigo parar de sorrir. Mas é como... como se eu fosse feliz. Vou contar como aconteceu. Foi... repentino, sabe? Como quando você está tendo um mal dia e do nada você vê a lua no meio do céu. Foi parecido, ela estava falando e eu a beijei. Só a beijei, simples assim. Mas cara, realmente não estava pronto para isso. Quando seus lábios tocaram os meus pela primeira vez não foi nem um beijo de verdade, poderia simplesmente ter sido o melhor acidente que já acontecera comigo... E então a vi sorrindo, com os olhos quase fechados como se estivesse escutando uma bela canção, ou como se estivesse pensando exatamente o mesmo que eu. E eu amei esse sorriso e, por um momento que durou para sempre, eu lembrei o toque desses lábios, a sua cor e como tremeram, surpreendidos, quando encontraram os meus. E eu podia sentir sua respiração, com seu próprio ritmo, como se a gente nem estivesse no meio de um show, e eu respirei junto com ela até que, depois de meio segundo de eternidade, não consegui mais me segurar e a beijei de novo... E seus lábios eram cálidos, suaves e macios. E juro que eram doces... Lembro o seu gosto, sua cor e sua calidez... e a sensação que eles davam. ...e como se mexiam, acariciando os meus -isso foi o melhor-, eram como ondas levando um náufrago são e salvo de volta à praia. E a sua língua, ávida e brincalhona... era hipnótica, como se estivesse recitando em silêncio o segredo da vida, dá para entender? E eu me senti como- como se esse único beijo pudesse de fato me salvar.
E quando a noite chegou ao fim, eu não conseguia parar de sorrir; ainda não consigo parar de sorrir cada vez que eu lembro, e já passaram 75 dias...