August 18, 2010

Destino

Alguns dias atras, algo me fez pensar em uma situação que ocorreu faz umas semanas. É sempre interessante reencontrar uma pessoa, mas é incrívelmente fascinante o encontro acontecer no lugar que você menos espera.
Estava eu em casa, perdendo meu tempo na frente do computador; fazia calor e decidi abrir a janela. Alguns segundos depois, vejo a silueta delgada de um rosto familiar; "eu conheço essa garota", pensei. Tentei atrair sua atenção e funcionou: fumamos, conversamos, conversamos e ah, também conversamos. Decidimos continuar o papo em um bar e lá conversamos mais: o que mais tinhamos em comum eram os nossos problemas. Foi uma descoberta, no mínimo, agradável. Então uma ideia atravessou a minha mente: "e eu que queria beber hoje... então não teria conhecido uma pessoa tão legal". E realmente, uma longa série de acontecimentos aparentemente aleatórios conspiraram a favor desse encontro, dessa descoberta:
Eu tinha acordado tarde, sem fome e triste. Acontece.
Tentei encontrar uma pessoa e não deu certo. Nada sério, bola pra frente.
Me arrumei para ir ao trabalho e lembrei que não tinha a chave da sala. Que merda.
Fui ao cinema, filme bom.
Saio do cinema, dor de cabeça. Que merda.
Tento encontrar a mesma pessoa e não dá certo de novo. Que dia ruim.
A dor de cabeça piora. Remédio ressolve.
Passo no supermercado, compro as coisas, esqueço a vodka. Normal.
Entro no msn e comento com uma amiga; ela me recomenda não beber, mas passear na
praia. Boa ideia.
Volto da praia e me sinto bem. Demorou.
Faz calor e abro a janela. Olha só quem tá ai...
Parece simples, mas; e se eu tivesse acordado quando o despertador tocou? E se eu tivesse encontrado aquela pessoa ou lembrado de levar a chave do escritório? E se eu não tivesse esquecido de comprar a vodka? E se minha amiga não falasse aquilo? E se ela não tivesse entrado porque talvez tivesse que passear com o cachorro? Só pode ter sido o destino.

Como aquele dia... Dessa vez, eu enxergo as mãos do destino mais claramente: Eu tinha voltado do Perú e meus amigos já estavam se mudando cada um para um canto diferente; então, voltei direto para a pousada. Aquele dia, começo de junho, eu tinha um 'quarto' que decidi não tomar; como consequência, veio o tédio e me convenceu a beber, chamo dois amigos que trabalham em casa e compramos as coisas, estamos bebendo na sacada quando um carro passa e alguém grita meu nome. Ligo para esse alguém e a convido para beber comigo; ela estava com um amigo e duas amigas. Dito amigo eu tinha conhecido quando os ajudei com um trabalho da faculdade; portanto, ele concordou. Quando chegaram, as apresentações foram feitas, e mais um encontro foi marcado. Tinha um show aquela noite em um bar perto de casa, lá nos encontramos. Lá eu queimei a calça dela e em troca ganhei um beijo. E muitos mais.
Imaginem só, se eu não tivesse ido pro Perú certamente ninguém teria se mudado; se eu tivesse tomado o 'quarto' aquele dia, não estaria na sacada no momento do grito. Se não tivesse sido véspera de feriado, ela não teria saido de casa. Se eu não tivesse conhecido e ajudado dito amigo, talvez ele não tivesse concordado de assistir à reunião. Se não tivesse tido show algum, nunca teriamos nos encontrado. É de ficar louco. Quantas coisas mais influenciaram os acontecimentos que levaram a tudo acontecer? Quantas vezes sem sabermos o destino susurra ao pé dos nossos ouvidos para decidirmos fazer o que ele prefere? Só pode ser o destino...

E sabem o que me indigna hoje? Que aquela noite, quase no fim da noite já, eu e ela estávamos num canto do bar, encostados em uma coluna de madeira, seus braços ao redor do meu pescoço e os meus ao redor da sua cintura; ela me beijava e se apertava contra mim. Aquela noite, quase num susurro, ela me perguntou:
- Você acredita no destino?
E eu, você acredita? Eu, incapaz de me render à vontade daquele deus caprichoso, ou talvez só querendo parecer intelectual, não achei nada melhor a responder que um simples
- Não.